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Alfabeto LGP (língua gestual portuguesa)

O alfabeto datilológico da língua gestual portuguesa (LGP) faz-se com uma só mão e cobre as 26 letras do alfabeto português mais as vogais acentuadas e o ç. A LGP é a língua da comunidade surda de Portugal e está reconhecida na Constituição desde 1997, um caso raro na Europa.

As letras e as suas configurações

LetraConfiguraçãoLetraConfiguração
Apunho fechado, polegar ao ladoNdois dedos sobre o polegar
Bmão plana, dedos juntosOdedos em círculo
Cmão curvada em CPK apontado para baixo
Dindicador para cima, resto em círculoQG apontado para baixo
Ededos dobrados sobre o polegarRindicador e médio cruzados
Findicador e polegar em círculoSpunho, polegar à frente
Gindicador e polegar paralelosTpolegar entre indicador e médio
Hindicador e médio na horizontalUindicador e médio juntos
Imindinho esticadoVindicador e médio em V
Jmindinho a traçar um jotaWtrês dedos separados
KV com o polegar no meioXindicador em gancho
Lindicador e polegar em ângulo retoYpolegar e mindinho esticados
Mtrês dedos sobre o polegarZindicador a traçar um zê

O ç e as vogais acentuadas

O português tem sinais gráficos que o inglês não usa, e a LGP resolve-os com movimento acrescentado à letra base:

Na prática, os acentos raramente se soletram: a datilologia serve para identificar a palavra, e o contexto resolve a ortografia exata. Só se marcam quando é mesmo necessário distinguir, como entre avo, avô e avó.

A LGP foi reconhecida no artigo 74.º da Constituição da República Portuguesa em 1997, o que torna Portugal um dos primeiros países do mundo a dar estatuto constitucional a uma língua gestual. A Libras foi reconhecida no Brasil em 2002, pela Lei 10.436.

LGP e Libras não são a mesma língua

Apesar de Portugal e o Brasil partilharem a língua escrita, as suas línguas gestuais são distintas e não mutuamente inteligíveis. A LGP tem raízes suecas: em 1823, Per Aron Borg, diretor do instituto de surdos de Estocolmo, foi convidado a fundar a primeira escola portuguesa para surdos e trouxe consigo o sistema sueco. A Libras, pelo contrário, vem da língua gestual francesa, trazida em 1857 por Ernest Huet.

Por isso os alfabetos coincidem em muitas letras — ambos descendem em última análise do sistema espanhol do século XVII — mas o vocabulário e a gramática das duas línguas são independentes. Um surdo português e um surdo brasileiro comunicam com o mesmo esforço que dois surdos de países sem relação linguística.

Quando se soletra

Como em qualquer língua gestual, a datilologia ocupa uma pequena parte da conversa: nomes próprios, marcas, siglas e palavras sem gesto estabelecido. Os nomes de pessoa soletram-se a primeira vez e depois substituem-se por um gesto pessoal, atribuído pela comunidade surda e normalmente ligado a um traço físico ou a um hábito da pessoa. Esse gesto não se escolhe: é dado.

Ver alfabeto em Libras, alfabeto datilológico e aprender o alfabeto em Libras.

A LGP é igual à Libras?
Não. São línguas diferentes: a LGP tem origem sueca e a Libras origem francesa. Não são mutuamente inteligíveis.
A LGP está reconhecida por lei?
Sim, na Constituição portuguesa desde 1997.
Como se soletra o ç em LGP?
Com a configuração do C mais um pequeno movimento descendente que evoca a cedilha.

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