alfabeto.net
  1. Início
  2. Alfabeto para crianças
  3. Alfabeto Montessori

Alfabeto Montessori

O método Montessori ensina o alfabeto pelo tato e pelo som, nunca pelo nome da letra. O seu material mais característico são as letras de lixa: a letra recortada em lixa sobre uma tábua lisa, que a criança repassa com dois dedos enquanto ouve o seu som.

As letras de lixa

São o coração do método. Cada letra é recortada em lixa e colada sobre uma tábua colorida: rosa ou vermelho para as consoantes, azul para as vogais. A criança repassa a letra com o indicador e o médio da mão dominante, seguindo exatamente a ordem de traços com que depois a escreverá, enquanto o adulto pronuncia o seu som.

A lógica é que três canais trabalham ao mesmo tempo: o tato sente a forma e o percurso, a vista vê a letra, e o ouvido recebe o som. Essa combinação fixa a aprendizagem muito melhor do que olhar para uma ficha, e prepara a mão para o traço antes de saber segurar um lápis.

A lição em três tempos

Montessori apresenta cada letra com uma sequência fixa de três passos, aplicável também a qualquer outro conceito:

  1. Nomear: o adulto repassa a letra e diz o som. «Isto é /m/». Mais nada, sem explicações.
  2. Reconhecer: com duas ou três letras sobre a mesa, «dá-me o /m/», «aponta o /a/». Aqui verifica-se se percebeu sem lhe pedir que fale.
  3. Recordar: apontando uma letra, «qual é esta?». Só se chega a este passo quando o segundo está seguro.

Se a criança falhar no terceiro tempo, não se corrige: volta-se ao segundo e retoma-se noutro dia. A correção direta evita-se em todo o método.

Nunca se apresenta uma letra sozinha. Trabalham-se sempre duas ou três de cada vez, e escolhem-se letras que se distingam claramente pela forma e pelo som: nunca b e d juntas, nem m e n. Uma combinação típica de início é m, a, t.

A ordem de apresentação

Não é alfabética. Começa-se por letras que permitam formar palavras logo e que sejam fáceis de articular e de traçar:

O critério é sempre o mesmo: cada grupo novo deve permitir formar palavras com as letras já conhecidas. Aprender uma letra que ainda não se pode usar não motiva ninguém.

O alfabeto móvel

O segundo material fundamental é o alfabeto móvel: um conjunto de letras soltas recortadas, em minúscula, com vogais azuis e consoantes vermelhas. Com ele a criança compõe palavras antes de as saber escrever, que é precisamente o momento em que a sua capacidade de analisar sons ultrapassa a sua capacidade motora.

A escrita, na ordem Montessori, vem antes da leitura: primeiro a criança decompõe uma palavra em sons e constrói-a com letras, e só depois descobre que consegue ler o que outros escreveram. É a ordem inversa à da escola tradicional e uma das diferenças mais notáveis do método.

O que se pode aplicar em casa

Não é preciso comprar material: umas letras recortadas em cartão fino e forradas com lixa de grão médio fazem exatamente a mesma função. Ver como ensinar o alfabeto e atividades do alfabeto.

Por que as letras são de lixa?
Para que a criança perceba a forma pelo tato enquanto a vê e ouve o seu som. Os três canais juntos fixam a aprendizagem melhor do que a vista sozinha.
Por que as vogais são azuis e as consoantes vermelhas?
Para que, ao compor uma palavra, a criança veja num relance o esqueleto vocálico, que é o que estrutura a sílaba.
Ensina-se primeiro a escrever ou a ler?
A escrever. Em Montessori a criança compõe palavras com o alfabeto móvel antes de ler as dos outros.

Outras páginas da seção